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Itajaí instala marégrafo para monitorar marés em tempo real e antecipar risco de alagamentos

Foto: PMI

A Defesa Civil de Itajaí está instalando um marégrafo no Iate Clube Cabeçudas para ampliar o monitoramento hidrológico do município. O equipamento, implantado em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), será integrado ao sistema de telemetria da Defesa Civil e permitirá acompanhar, em tempo real, a variação das marés.

A nova estrutura deve aumentar a precisão das análises e contribuir para a prevenção de situações de risco. Atualmente, a rede de monitoramento acompanha continuamente os níveis dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim. Com o marégrafo, será possível verificar também de que forma a maré interfere no comportamento dos rios e na drenagem urbana.

A instalação faz parte dos investimentos do Município em tecnologia aplicada à gestão de riscos e amplia o sistema utilizado pela Defesa Civil para acompanhar as condições hidrológicas de Itajaí. O trabalho é realizado em parceria com a Univali, por meio do professor e pesquisador Mauro Michelana, e conta com o apoio técnico da empresa QualiControl, responsável pela instalação e integração do equipamento ao sistema de telemetria.

O marégrafo é uma estação de monitoramento oceanográfico utilizada para medir continuamente o nível do mar. O equipamento instalado em Itajaí utiliza tecnologia de radar, que realiza medições sem contato direto com a água, garantindo alta precisão, confiabilidade e transmissão contínua das informações para a central de monitoramento da Defesa Civil.

O monitoramento é considerado estratégico para Itajaí por causa da localização do município, na foz do Rio Itajaí-Açu. Durante períodos de chuva intensa no Alto Vale, a água dos rios precisa escoar em direção ao mar. Quando a maré está elevada, esse escoamento pode encontrar maior dificuldade, provocando um efeito de represamento e aumentando o risco de alagamentos e enchentes em áreas urbanas.

O equipamento também permitirá acompanhar o chamado efeito combinado entre maré e vento. Em determinadas épocas do ano, principalmente durante as marés de sizígia, registradas nas fases de lua nova e lua cheia, a elevação natural da maré pode ser potencializada pela ação de ventos fortes de sul. Essas condições podem empurrar grandes volumes de água para dentro da foz do rio e provocar alagamentos em diferentes pontos da cidade mesmo sem chuva significativa.

Para o coordenador da Defesa Civil de Itajaí, Guto Palmacarlo Porciúncula, a integração das informações permitirá um monitoramento mais eficiente. Os dados gerados pelo equipamento serão utilizados para avaliar como a maré interfere no escoamento das águas, principalmente durante períodos de chuva intensa, quando a combinação entre precipitação, elevação dos níveis dos rios e maré alta pode aumentar os impactos sobre a população.

Segundo o professor e pesquisador da Univali, Mauro Michelana, o equipamento amplia a capacidade de compreender os fenômenos relacionados aos alagamentos no município.

“Essa informação em tempo real permite cruzar dados, antecipar riscos e entender com precisão quando a combinação de maré e vento pode colocar a cidade em alerta. Assim, a Defesa Civil e os órgãos competentes podem agir com muito mais antecedência, protegendo a população e a infraestrutura de Itajaí”, afirma.

Além de contribuir para a emissão de alertas e orientar a atuação das equipes de resposta, os dados do marégrafo também serão utilizados em estudos técnicos e científicos. As informações poderão aperfeiçoar os modelos hidrológicos utilizados pela Defesa Civil e auxiliar no planejamento de ações de prevenção, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento urbano.

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