Pai da vítima é o principal suspeito. Foto: Divulgação
Dois meses após o desaparecimento que mobilizou a região, a adolescente Isabela Miranda Borck, de 17 anos, terá o velório e a despedida realizados em Itajaí neste sábado. A cerimônia ocorre na capela do Colégio Salesiano, no Centro da cidade, instituição onde ela estudava desde 2015. O velório está previsto para ocorrer das 8h às 14h, seguido de cremação no Crematório Athenas.
Isabela foi levada de casa no dia 30 de novembro, no bairro Fazenda, em Itajaí. O corpo da adolescente foi localizado apenas em 16 de janeiro, em uma área de mata no município de Caraá, no Rio Grande do Sul, a cerca de 200 metros da residência onde o pai dela morava. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso como feminicídio.
O principal suspeito é o próprio pai da jovem, A.B., de 53 anos, que está preso desde 19 de dezembro, após ser localizado em Maracaju, no Mato Grosso do Sul. Ele aguarda julgamento no Complexo Prisional da Canhanduba, em Itajaí. Em depoimento, o homem negou o assassinato e afirmou que a filha teria morrido em decorrência de um acidente, versão que não é sustentada pelas investigações.
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De acordo com a Delegacia de Homicídios de Itajaí, o crime teria sido motivado por vingança. Duas semanas antes do desaparecimento da adolescente, o suspeito havia sido condenado a 16 anos de prisão pelo estupro da própria filha, cometido quando ela ainda era criança. Os abusos vieram à tona em 2023, após relatos feitos por Isabela durante sessões de terapia.
No dia do sequestro, o pai foi visto em Itajaí. Conforme a apuração policial, ele teria entrado na cidade de forma discreta e aguardado o momento em que a adolescente estivesse sozinha em casa. A mãe de Isabela, Madalena, estava separada do suspeito há cerca de três anos.
Em depoimento recente à polícia, o investigado afirmou que veio a Itajaí para “buscar esclarecimentos” sobre a condenação judicial. Disse ainda que pretendia conversar com a ex-companheira e a filha, levando ambas ao Rio Grande do Sul. Segundo essa versão, ele teria usado um taser para ameaçar Isabela durante a abordagem e evitar que ela gritasse. A Polícia Civil confirmou a apreensão de equipamentos de choque no veículo do suspeito.
Ainda segundo o relato do homem, ao chegar ao Rio Grande do Sul, a adolescente teria fugido em uma área de mata e morrido após cair em um buraco. Ele admitiu que, ao encontrar o corpo, decidiu escondê-lo sob pedras e lona. A polícia, no entanto, afirma que o corpo foi ocultado de forma intencional e descarta a hipótese de acidente.
“O conjunto de elementos indica que a intenção inicial era matar mãe e filha”, afirmou o delegado Roney Péricles, responsável pelo inquérito. O caso segue em investigação e tramita como feminicídio.