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Com jeito acessível e discurso forte, novo reitor quer transformar a Univali

Novo reitor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) para a gestão 2026-2030, Rogério Corrêa inicia o mandato com o discurso de continuidade, mas também com a proposta de imprimir mais agilidade, inovação e proximidade entre a universidade e a comunidade.

Com mais de 30 anos de trajetória na docência e passagem pela vice-reitoria, ele chega ao comando da instituição com um perfil que mistura experiência, abertura ao diálogo e um jeito menos engessado de ocupar o cargo. É bacharel, mestre e doutor em Química, com atuação acadêmica voltada ao ensino, à pesquisa e à formação de novos profissionais.

Ao longo da carreira, construiu uma trajetória ligada à produção científica e também à gestão universitária, ocupando funções estratégicas em áreas como pesquisa, pós-graduação e extensão.

Na entrevista ao Olhar de Itajaí, Rogério mostrou um estilo sereno e acessível ao falar sobre sua eleição e o início da nova fase. Segundo ele, a construção do caminho até a reitoria passou por um processo coletivo dentro da própria universidade. “Isso fez com que a nossa equipe fosse muito unida, muito coesa”, afirmou, ao lembrar os desafios enfrentados nos últimos anos. Para ele, o grupo entendeu que havia a necessidade de manter o trabalho que vinha sendo desenvolvido e apostar em uma continuidade com responsabilidade.

Ao comentar a escolha de seu nome para liderar a instituição, o novo reitor disse que recebeu a missão com entusiasmo. “Eu aceitei o pedido com muito orgulho e com muita satisfação”, declarou. Ainda de acordo com ele, a preparação para o cargo não está apenas no tempo de casa, mas também na confiança em uma equipe já estruturada. “Me julguei, como me julgo preparado, em função de ter essa equipe tão boa conosco”.

O lado mais espontâneo e até descolado do novo reitor ganhou visibilidade já na cerimônia de posse, quando ele surpreendeu ao tocar guitarra. O gesto, que chamou a atenção da comunidade acadêmica, teve um significado pessoal. Rogério contou que o momento foi uma homenagem a um amigo falecido recentemente. “Eu não ia fazer nenhuma inserção na cerimônia, mas resolvi fazer uma homenagem ao meu amigo Fábio”, disse. Em outro trecho, revelou o lado mais leve da rotina fora da gestão: “Eu costumo sempre depois do expediente brincar um pouquinho de guitarra”. Assista o vídeo:

A apresentação, mais do que uma quebra de protocolo, ajudou a reforçar a imagem de um dirigente mais próximo, humano e sem excesso de formalidade. O próprio reitor resumiu o sentimento daquele momento como uma mistura de emoção e gratidão. “Foi uma noite de muitas emoções. Uma noite de gratidão, principalmente”.

Quando fala sobre a forma de administrar, Rogério deixa claro que pretende apostar em uma gestão baseada na conversa e no entendimento. “O diálogo é o melhor caminho sempre”, afirmou. Para ele, o bom senso precisa prevalecer mesmo em cenários de divergência, e as pessoas precisam ter clareza sobre metas e caminhos. A declaração aponta para uma condução mais participativa dentro de uma universidade marcada por múltiplas áreas e interesses.

Entre esses desafios, ele cita a necessidade de rever processos antigos que, mesmo informatizados, ainda não acompanharam a velocidade das transformações atuais. “Temos processos ainda que têm vícios muito antigos”, afirmou. Segundo ele, parte dessas rotinas apenas foi digitalizada, sem que houvesse uma mudança real na eficiência. “Hoje nós temos um processo que muitas vezes não é eficiente, mas ele apenas está informatizado”.

A crítica vem acompanhada de uma proposta clara: acelerar respostas e tornar a universidade mais conectada com o que acontece fora do ambiente acadêmico. “A universidade não pode ser lenta nas suas respostas”, disse. Para Rogério, o mercado, a comunidade e as instituições exigem cada vez mais agilidade, e a Univali precisa acompanhar esse ritmo.

Essa visão passa diretamente pela aproximação com o meio produtivo. O novo reitor defende que os alunos tenham contato mais cedo com situações concretas do mundo profissional, reduzindo a distância entre a formação e a prática. “O que nós queremos é que as empresas possam trazer a casuística real que elas enfrentam no dia a dia para dentro do campus”, explicou. Na avaliação dele, isso ajuda a formar profissionais mais preparados para um mercado “muito mais voraz, muito mais ágil, muito mais cobrador” do que muitos imaginam ainda na graduação.

A inovação também aparece entre os pilares da nova gestão. Rogério afirma que não há como pensar uma universidade atual sem acompanhar as mudanças tecnológicas e as novas demandas da sociedade. “Não é possível você se atualizar sem inovar”, resumiu. Dentro dessa lógica, ele projeta ampliação de cursos, novos projetos e expansão da presença da instituição em regiões estratégicas.

O reitor também defende uma Univali mais aberta à população. Segundo ele, a universidade precisa reforçar seu caráter comunitário e se consolidar como um espaço vivo, frequentado e reconhecido pela sociedade. “A ideia é que a comunidade reconheça a instituição como território dela”, afirmou. A proposta é fazer com que a população se sinta cada vez mais parte do campus, não apenas como visitante, mas como integrante da vida universitária.

Ao fim da entrevista, Rogério reforçou que pretende manter a universidade conectada às necessidades da região e próxima também do poder público, ajudando a embasar decisões com conhecimento técnico, ciência e tecnologia.

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