Santa Catarina para identificar a realidade da violência enfrentada pela categoria no ambiente de trabalho. A pesquisa, respondida de forma anônima, aponta que 74,8% dos participantes já sofreram algum tipo de violência durante o exercício profissional, enquanto 57,8% disseram não se sentir seguros no local onde trabalham.
Entre os municípios com maior número de registros, Florianópolis aparece com 167, São José com 96 e Palhoça com 64. No Vale do Itajaí, Blumenau contabilizou 122 registros, Itajaí teve 88 e Brusque, 41.
O levantamento também aponta Joinville, com 185 registros, como o município com maior número de participantes que relataram episódios de violência. Na sequência aparecem Florianópolis (167), Blumenau (122), São José (96), Criciúma (90), Itajaí (88), Caçador (66), Palhoça (64), Chapecó (51), Lages (51), Brusque (41), Campos Novos (33) e Joaçaba (30). Os demais municípios somaram 1.127 registros.
Leia também
- Brusquense aparece entre os cinco maiores em engajamento total na política de SC, segundo levantamento do Upiara
- Lei Orelha avança na Alesc e amplia punições para casos de maus-tratos contra animais em Santa Catarina
- Motorista foge da PM entre Camboriú e Itajaí e acaba preso por mandado de violência doméstica
Para a presidente do Coren-SC, Maristela Azevedo, os dados ajudam a dimensionar um problema que já chegava ao Conselho por meio de denúncias e relatos de profissionais.
“A pesquisa foi pensada justamente para que tivéssemos dados fidedignos e pudéssemos falar com clareza sobre o que realmente acontece em Santa Catarina. É um tema recorrente e que preocupa muito o Conselho, especialmente porque estamos falando da segurança de profissionais que saem de casa todos os dias para cuidar e salvar vidas”, afirma Maristela.
A violência moral ou psicológica foi relatada por 96,6% dos profissionais que afirmaram ter sido vítimas. A violência física apareceu em 18,6% dos relatos, enquanto 7,3% mencionaram violência sexual. Os participantes poderiam apontar mais de um tipo de ocorrência. Também foram registrados casos envolvendo racismo, injúria racial e xenofobia.
Os episódios, segundo os dados, não são necessariamente isolados. Entre os profissionais que já sofreram algum tipo de violência, 73,5% disseram ter passado por situações mais de uma vez, ainda que sem uma frequência definida. Outros 15,9% afirmaram sofrer violência periodicamente. Apenas 10,6% relataram um único episódio.
“Quando quase a totalidade dos profissionais que sofreram violência aponta situações de caráter moral ou psicológico, precisamos olhar com muita atenção para aquilo que muitas vezes não deixa uma marca física, mas afeta profundamente o trabalhador. Precisamos falar sobre essas violências e criar ambientes em que o profissional se sinta seguro para procurar ajuda e registrar o que aconteceu”, reforça Maristela.

O Conselho defende que o enfrentamento do problema envolva medidas de segurança nas instituições, canais de atendimento aos trabalhadores, mecanismos de alerta, apoio psicológico e melhores condições de trabalho. Entre os fatores apontados como capazes de aumentar a tensão nos serviços estão equipes reduzidas, falta de insumos, estruturas defasadas e sobrecarga profissional.
A preocupação é maior em ambientes como emergências, emergências pediátricas, UPAs e UTIs, onde situações de maior tensão podem envolver profissionais, pacientes e familiares.
“Todos nós sabemos da angústia de quem procura um serviço de saúde em um momento de doença. Nosso trabalho é prestar uma assistência segura, qualificada e ética. Mas o profissional de Enfermagem também precisa se sentir seguro dentro da sua unidade de trabalho para exercer esse cuidado”, ressalta a presidente.
O Coren-SC também acompanha a tramitação do PL 2672/2025, que prevê o endurecimento das penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação. Para o Conselho, a responsabilização deve ser acompanhada por medidas de prevenção e mudanças estruturais nos ambientes de trabalho.
Outro ponto levantado pela pesquisa é a baixa quantidade de registros formais. Apenas 36,7% dos profissionais que afirmaram ter sofrido violência disseram ter registrado oficialmente o ocorrido. A subnotificação dificulta a identificação da dimensão do problema e a elaboração de políticas de prevenção.
A orientação é que profissionais vítimas de violência registrem boletim de ocorrência e procurem os canais institucionais disponíveis. O Conselho também recebe denúncias por seus canais de atendimento e pela Ouvidoria.
Entre os mecanismos disponíveis está o desagravo público, utilizado na defesa de profissionais de Enfermagem diante de situações relacionadas ao exercício da profissão. O Coren-SC também pode atuar por meio de manifestações institucionais e diálogo com gestores.
“É direito do profissional receber apoio e ter sua dignidade respeitada no ambiente de trabalho. Queremos manter esse contato cada vez mais próximo para que as pessoas procurem o Conselho e saibam que podem contar conosco. O Coren-SC continuará trabalhando para fortalecer a proteção e a valorização da Enfermagem”, conclui Maristela.